Ela era pequena e não sabia
Tinha planos e sonhos, mas quem não os tinha?
Esperava crescer até conquistar seus desejos
Até sonhar com o que ainda era invisível
Mas mal sabia
Que tinha que crescer
Apenas para aprender a sonhar
Com o que era possível
Ficou presa no esforço de crescer
Seus braços soltos se embolaram
No desejo de partir
Seu corpo todo dizia, 'deixe-me ir'
Mas seu sonho, tão imaculado
Tirou-lhe o ímpeto de fugir
Criou uma prisão em seu caminho
Sem cordas, sem tranças
Sem príncipe ou salvador
Sua ruína parecia estar perto
Preferiu ceder ao pânico
Amigo eterno em sua vida
Acordou um dia empapada de suor
Seu pescoço, endurecido, não a deixava olhar para trás
Foi obrigada a ver o que não queria
Que sua vida não era um jogo para apostadores
Que sua opção não poderia ser só a fuga
Que correr não era uma saída
Enxergou como se nunca houvera antes
Compreendeu como se nunca soubera
Sua vida não era um jogo de sorte
Seu destino não era uma rifa de valores
Seus olhos estavam exaustos e seu corpo pedia
Preso em um nó
Que sua mente o deixasse partir
Entendeu que a vida que vivia
Era só para si
E que isso já bastava para ser infeliz
Crescer era seu problema
Seus ossos não tinham para onde expandir
Sua casa, pequena
Já não cabia mais dentro de si
Blog sobre Nada
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Long road to recovery
No caminho para a cura
Existe um céu colorido por mãos inocentes
Por mãos que só enxergam hoje
E não antecipam o amanhã
No caminho para a cura
Existem pedras que se soltam
E fazem o caminho ser tornar perigoso
Mas apenas quando não se presta atenção
No caminho para a cura
Existe uma mão que segura
E outra que empurra com a mesma força
E as duas são um caminho para a salvação
No caminho para a cura
Escuto uma música que me lembra de tudo
De tudo o que foi e o que não existiu
De tudo que ainda pode existir
No caminho para a cura
Sinto um abraço que chega devagar
Sinto o toque do novo e do antigo
E escolho qual caminho seguir
No caminho para a cura
Eu encontro quem eu sou
Eu amo o que eu sou
Eu curo
Existe um céu colorido por mãos inocentes
Por mãos que só enxergam hoje
E não antecipam o amanhã
No caminho para a cura
Existem pedras que se soltam
E fazem o caminho ser tornar perigoso
Mas apenas quando não se presta atenção
No caminho para a cura
Existe uma mão que segura
E outra que empurra com a mesma força
E as duas são um caminho para a salvação
No caminho para a cura
Escuto uma música que me lembra de tudo
De tudo o que foi e o que não existiu
De tudo que ainda pode existir
No caminho para a cura
Sinto um abraço que chega devagar
Sinto o toque do novo e do antigo
E escolho qual caminho seguir
No caminho para a cura
Eu encontro quem eu sou
Eu amo o que eu sou
Eu curo
domingo, 26 de fevereiro de 2012
"Meia-noite em Paris" e o apego ao passado e à alteridade
Depois de cometer o pecado imperdoável de não assistir ao mais recente filme do Woody Allen enquanto ainda estava em cartaz (daqui a pouco cometo o mesmo erro com o novo do Almodóvar), me redimi parcialmente assistindo à "Meia-noite em Paris" em casa. Quem já viu, conhece a história - e quem não viu, vá ver, porque é maravilhoso e eu não vou escrever uma sinopse.
Continuando, o filme é lindo, Paris é linda, Owen Wilson mandou muito bem e o Woody Allen finalmente conseguiu diluir a nuvenzinha preta de paranoia que sempre paira sobre a cabeça de seus protagonistas (e que já estava gasta há alguns filmes). O sentimento que permeia esse filme (acompanhado do medo da morte, sempre presente no universo woodyalleniano) é a nostalgia, o apego a um passado não necessariamente vivido, mas apenas idealizado.
O protagonista entra numa espiral digna do clássico oitentista "De Volta Para o Futuro", motivada, de certa forma, por sua idealização de uma Paris em que, de forma mágica, todas as artes viveram seu auge simultaneamente (para quem quiser jogar um pouco mais de luz sobre essa época, a Paris dos anos 1920, recomendo a leitura de "A Autobiografia de Alice B. Toklas", de Gertrude Stein, que também é "personagem" do filme e cujo livro provavelmente deve ter inspirado o Sr. Allen). Quem não iria querer presenciar um momento da Humanidade em que as vidas e as criações de Pablo Picasso, Salvador Dalí, Henri Matisse, Man Ray, Ernest Hemingway, F.Scott Fitzgerald, Cole Porter e Coco Chanel - só para mencionar alguns - se tangenciaram e conviveram de forma simultânea, formando uma massa de energia criativa cujo impacto sentimos até hoje?
Mas a bandeira mais realista que o filme levanta (afinal, o que há de realista em viajar ao passado e cair no meio de uma festinha do Jean Cocteau?) é a de que, por mais que se busque a perfeição do passado (no filme essa busca se dá pela arte), sempre estaremos presos ao presente. Não há máquina do tempo que possa fazer com que uma pessoa se sinta à vontade em um tempo que não é o seu, não importando o quanto o zeitgeist do passado combine mais com seu caráter e suas crenças. Ou, como diria o personagem principal de "Meia-noite em Paris", "essas pessoas (do passado) não têm antibióticos". Quem, afinal, iria querer viver em um mundo sem antibióticos?
Sem entrar muito na história do filme (e estragar o prazer de quem ainda não o assistiu), a reflexão que me sobrou encontra um paralelo na minha relação com o Rio de Janeiro. O passado parece muito bom até o momento em que você se dá conta de que, para estar lá, teria de abrir mão de tudo o que pertence ao tempo atual (e isso não se restringe aos avanços tecnológicos - isso afeta relações, vínculos afetivos). Trouxe o Rio para o meio dessa conversa porque, até conviver mais de perto com a visão que pessoas de fora têm da cidade, sempre pensei em como a vida seria melhor se eu vivesse em qualquer outro lugar que não fosse aqui.
De fato, quando um termômetro de rua registra 40° C no verão eu realmente me pego querendo me mudar para uma província gelada no Canadá, mas aprendi uma lição preciosa nos últimos tempos que tem servido bem ao meu propósito de viver uma vida de confortos e prazeres simples. Passei a ver a cidade com um olhar um pouco estrangeiro, uma mescla do cinismo que é essencial a todo carioca com uma dose de inocência que me permite enxergar o lado leve e bonito da cidade, seus pequenos luxos diários que não custam absolutamente nada e que tiram um pouco do peso de se viver numa metrópole suja, barulhenta e pobre de atitudes cidadãs. É como um relacionamento - você ama aquele sujeito, mas há momentos em que tudo o que você queria era jogá-lo na linha do metrô. Aí você lembra das pequenas atitudes que te trazem um sorriso nos momentos ruins e a vida parece um pouco melhor. Aposto que os parisienses devem pensar a mesma coisa.
Continuando, o filme é lindo, Paris é linda, Owen Wilson mandou muito bem e o Woody Allen finalmente conseguiu diluir a nuvenzinha preta de paranoia que sempre paira sobre a cabeça de seus protagonistas (e que já estava gasta há alguns filmes). O sentimento que permeia esse filme (acompanhado do medo da morte, sempre presente no universo woodyalleniano) é a nostalgia, o apego a um passado não necessariamente vivido, mas apenas idealizado.
O protagonista entra numa espiral digna do clássico oitentista "De Volta Para o Futuro", motivada, de certa forma, por sua idealização de uma Paris em que, de forma mágica, todas as artes viveram seu auge simultaneamente (para quem quiser jogar um pouco mais de luz sobre essa época, a Paris dos anos 1920, recomendo a leitura de "A Autobiografia de Alice B. Toklas", de Gertrude Stein, que também é "personagem" do filme e cujo livro provavelmente deve ter inspirado o Sr. Allen). Quem não iria querer presenciar um momento da Humanidade em que as vidas e as criações de Pablo Picasso, Salvador Dalí, Henri Matisse, Man Ray, Ernest Hemingway, F.Scott Fitzgerald, Cole Porter e Coco Chanel - só para mencionar alguns - se tangenciaram e conviveram de forma simultânea, formando uma massa de energia criativa cujo impacto sentimos até hoje?
Mas a bandeira mais realista que o filme levanta (afinal, o que há de realista em viajar ao passado e cair no meio de uma festinha do Jean Cocteau?) é a de que, por mais que se busque a perfeição do passado (no filme essa busca se dá pela arte), sempre estaremos presos ao presente. Não há máquina do tempo que possa fazer com que uma pessoa se sinta à vontade em um tempo que não é o seu, não importando o quanto o zeitgeist do passado combine mais com seu caráter e suas crenças. Ou, como diria o personagem principal de "Meia-noite em Paris", "essas pessoas (do passado) não têm antibióticos". Quem, afinal, iria querer viver em um mundo sem antibióticos?
Sem entrar muito na história do filme (e estragar o prazer de quem ainda não o assistiu), a reflexão que me sobrou encontra um paralelo na minha relação com o Rio de Janeiro. O passado parece muito bom até o momento em que você se dá conta de que, para estar lá, teria de abrir mão de tudo o que pertence ao tempo atual (e isso não se restringe aos avanços tecnológicos - isso afeta relações, vínculos afetivos). Trouxe o Rio para o meio dessa conversa porque, até conviver mais de perto com a visão que pessoas de fora têm da cidade, sempre pensei em como a vida seria melhor se eu vivesse em qualquer outro lugar que não fosse aqui.
De fato, quando um termômetro de rua registra 40° C no verão eu realmente me pego querendo me mudar para uma província gelada no Canadá, mas aprendi uma lição preciosa nos últimos tempos que tem servido bem ao meu propósito de viver uma vida de confortos e prazeres simples. Passei a ver a cidade com um olhar um pouco estrangeiro, uma mescla do cinismo que é essencial a todo carioca com uma dose de inocência que me permite enxergar o lado leve e bonito da cidade, seus pequenos luxos diários que não custam absolutamente nada e que tiram um pouco do peso de se viver numa metrópole suja, barulhenta e pobre de atitudes cidadãs. É como um relacionamento - você ama aquele sujeito, mas há momentos em que tudo o que você queria era jogá-lo na linha do metrô. Aí você lembra das pequenas atitudes que te trazem um sorriso nos momentos ruins e a vida parece um pouco melhor. Aposto que os parisienses devem pensar a mesma coisa.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Retomando
Então, em um dia quente em meio ao frenesi carnavalesco, sob o jugo de uma persistente crise alérgica, eu resolvo que quero voltar a escrever sobre nada. Mas sobre o que escrever? Sobre o calor, sobre o Carnaval, sobre secreções nasais e gargantas inflamadas, sobre crises e reencontros? Sobre o que falar? Distâncias, separações, beleza? A música que não sai dos meus ouvidos? O desejo que paira na ponta dos meus dedos por arte e satisfação?
Sobre o que escrever?
domingo, 17 de abril de 2011
A internet e a festinha particular
Ontem, sábado, comecei a acompanhar a transmissão ao vivo, via Youtube, do sensacional festival californiano Coachella. Muitas bandas das quais eu nunca tinha ouvido falar tocaram (algumas me agradaram bastante), outras mais ou menos conhecidas também deram as caras, e a noite terminou com uma apoteose musical do Arcade Fire. Na última terça-feira (13/04), já tinha ido à loucura graças a uma transmissão de aúdio ao vivo, do portal Terra, do último show do U2 no Brasil. Bono, no alto de sua sabedoria, pediu aos fãs que registrassem aquele show, porque ele era especial. Era um estímulo nem um pouco velado à "pirataria" para uso próprio (porque para comercialização - perdoem o palavreado - é p*taria mesmo).
É sempre um alento ouvir da boca de um mega-super-hiper-ultra rockstar e mesmo de outros artistas de calibre ligeiramente menor que esse tipo de "pirataria" não deveria ser considerada um crime. Afinal, quantos artistas não ganham projeção e centenas de milhares de novos fãs graças ao download "ilegal" de músicas? E quantos desses novos fãs não lotam os shows desses artistas e acabam, por fim, comprando seus álbuns? E, nesse caso específico, qual é o mal de se registrar um momento único, que não necessariamente vai se transformar em um álbum oficial da banda - e, portanto, pode nunca mais estar disponível aos fãs?
Mas, enfim, nem era sobre isso que eu queria falar. Eu queria falar mesmo é sobre essa maravilha que a internet proporciona, com essas transmissões ao vivo de shows e festivais. Para mim, são como festinhas particulares, e ontem eu senti isso com ainda mais força quando eu, um amigo que mora em outra cidade e outro amigo que está na Argentina ficamos trocando ideias no Facebook enquanto assistíamos aos shows do Coachella. Era sábado à noite, em tese aquele dia da semana em que todo mundo quer ir mesmo é para rua, mas estávamos nós três - e, posso garantir pelos comentários no Twitter, milhares de outras pessoas em outras partes do mundo - em casa, assistindo, "de grátis", a um evento de grandes proporções e recheado de boa música.
É nessas horas que eu consigo dimensionar o quanto a internet mudou nossas vidas para melhor. Além de outros benefícios óbvios (e outros nem tanto), a Rede ainda nos proporciona poder fazer parte, mesmo que à distância, de acontecimentos com enorme capacidade de mobilização. Imaginem se, em 1989, pudéssemos ter acompanhado, pela internet, à queda do Muro de Berlim? Ou se (para quem é fã), em 1992, tivesse sido possível assistir a um dos shows da Zoo TV Tour, a turnê mais fanstástica que o U2 já colocou na estrada?
Não é incrível poder se sentir parte de coisas tão grandiosas mesmo estando em casa, à frente de um computador? Eu agradeço aos Céus pela internet quando posso ter uma experiência do tipo. Se você não pode ir até a montanha, a montanha vem até você - e, quem sabe?, ainda pode render uma gravação que ficará para sempre no iPod.
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